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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Exclusivo: "Sinto tristeza e mágoa por nunca ter treinado um grande clube português" - Guilherme Farinha

O treinador Guilherme Farinha, em entrevista exclusiva ao FAS - Futebol Ao Segundo, aceitou a abordagem de vários temas, desde à sua carreira pessoal, até à previsão do próximo campeão Nacional.

FAS - Futebol Ao Segundo (FAS) - Que balanço faz da sua experiente carreira?
Guilherme Farinha (GF) - Um treinador com 30 anos de carreira e que teve o prazer de trabalhar em 4 continentes considero-o de muito positivo e enaltecedor.

FAS - Sente-se desapontado ou triste por nunca ter treinado uma equipa "grande" portuguesa?
GF - Sinto tristeza e mágoa. Penso que já dei provas suficientes de merecer a devida atenção de me proporcionarem a possibilidade de treinar alguma equipa dita "grande". Inclusive nem a possibilidade de treinar uma equipa da primeira Liga. Há já algum tempo afirmei aos Orgãos de Comunicação Social que se treinasse um dos "grandes", seria Campeão Nacional.

FAS - Comandou a Selecção da Guiné-Bissau durante 4 épocas. Que conclusão faz desses anos?
GF - Foi um trabalho muito duro, de muita dedicação e entrega à causa do futebol do país. Logrei na história da Guiné-Bissau a qualificação para a Fase de Grupos pela primeira vez, para o CAN-94/Tunisia e vencer vários Torneios Internacionais e com a Sub-16 ganhar em Portugal à Selecção portuguesa os I Jogos Desportivos de Língua Portuguesa. Ter tido o orgulho também de ter sido homenageado pelo Estado Guineense e ter recebido o carinho de todo um povo. Lamento o facto de não ter sido com a Sub-17, no Japão-93, Campeão do Mundo, porque só perdi com os campeões, a Nigéria.

FAS - Conquistou a Liga da Costa Rica em duas ocasiões: em 1999/2000 e em 2000/2001. Sente que esse foi um dos pontos mais altos da sua carreira?
GF - Para vários entendedores, o meu trabalho mais brilhante foi o realizado na Guiné-Bissau. Na Costa Rica, nas épocas de 1999/2000 e 2000/2001, fui bi-Campeão Nacional, ganhando os quatro Torneios, os dois de Abertura e os dois de Clausura. Fomos campeões da Uncaf por duas vezes, vice-Campeão da Concacaf, e ficamos em segundo lugar na Merconorte e em 27º lugar no Ranking Mundial da FIFA. Recebo também nos 2 anos o prémio de Melhor Treinador do Ano. Com o que acabo de descrever é fácil de compreender que foi um dos momentos mais altos da minha carreira.

FAS - Sonha, um dia, treinar a Selecção Nacional?
GF - Nem os clubes da primeira Liga, quanto mais a Selecção Nacional. Não tenho empresário, não tenho uma equipa de Marketing e Imagem atrás de mim que me dê suporte e sou um grão de areia para lutar contra "lobbies".

Perguntas dos leitores:

Pedro Ramos - Será que gostaria de voltar a treinar equipas nos Açores? Estará nos seus horizontes treinar apenas equipas ditas "grandes" da 2ª Liga, ou 2ª Divisão Nacional?
GF - Tive o prazer de treinar o Praiense da Praia da Vitória - Ilha Terceira - na 2ª  Divisão B e o Sporting da Horta - Ilha do Faial - na 3ª Divisão Nacional. Consegui os objectivos e senti-me cómodo, porque sempre fui respeitado e acarinhado pelos açorianos, portanto não descarto a hipótese de um dia voltar a treinar um clube dos Açores.
Relativamente à outra questão, respondo que não. Quer seja em Portugal Continental, na Madeira ou nos Açores, treinarei a equipa que depositar confiança na minha pessoa, e nas minhas capacidades de trabalho como treinador.

Fernando Sampaio - A nível de futebol nacional, como explica que os jovens jogadores portugueses têm mais oportunidades no estrangeiro do que propriamente em Portugal?
GF - Infelizmente, os nossos jovens talentos são obrigados a emigrar, porque o futebol português, por interesses de alguns elementos, apostam e promovem jogadores estrangeiros, que muitos deles não têm qualidade, mas outros valores falam mais alto.

Rúben Raposo - Concorda com a reintegração do Boavista na primeira Liga? E com o alargamento no campeonato, concorda?
GF - Com a reintegração do Boavista, na primeira Liga, se têm razão, estou de acordo. Em relação ao alargamento, defendo que Portugal ainda tem espaço para 16 clubes.

Tiago Martins - Na sua opinião, quem acha que irá conquistar o título de Campeão Nacional: Benfica ou FC Porto?
GF - Benfica.

Marco Leal - Actualmente, encontra-se sem clube. Gostava de abraçar uma experiência em Portugal ou no estrangeiro?
GF - É verdade que, de momento, ainda me encontro sem clube. Gostaria de ficar em Portugal e agarrar um projecto, mas vejo e sinto que sem empresário é difícil, por isso sou obrigado a emigrar, novamente, e uma vez mais levantar bem alto e dignificar a imagem do treinador Português.

Pedro Santos - Sente que pode ser considerado novamente o melhor treinador português, tal como aconteceu em 2001, ao conquistar o prémio Fernando Vaz, tendo sido no mesmo dia premiado na Costa Rica?
GF - Foi com muito orgulho que, no ano 2001, recebi o prémio Fernando Vaz e também recebi o prémio Melhor Treinador Português no Estrangeiro, do Jornal "O Jogo", e o prémio de Melhor Técnico do Ano, na Costa Rica. Inclusive convidei os Orgãos de Comunicação Social para fazerem uma pesquisa se tinha havido na história do futebol um treinador que em continentes diferentes e países diferentes recebeu dois prémios no mesmo dia. Para tirar as dúvidas, no ano 2001, recebi três prémios, conforme acima mencionado, mas 2 no mesmo dia. Se um dia vai tornar a acontecer? Acredito que sim, pois desempenho sempre o meu trabalho com a firme intenção de ser Campeão.

O FAS - Futebol Ao Segundo agradece a disponibilidade do técnico Guilherme Farinha, desejando-lhe muitas felicidades.

Fotos: Direitos Reservados
 

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